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Sandra Campos
    Sandra Campos nasceu em Feira de Santana-BA e formou-se em Pedagogia pela UEFS. Na universidade começou a escrever crônicas que eram lidas em algumas aulas. Voltou a escrever em 2013, por prazer pessoal. Em 2014 passou a publicar seus textos no jornal A Tribuna, de Rondonópolis-MT, cidade onde mora atualmente e desde 2015 é colunista do Viva Feira. A primeira crônica publicada em agosto de 2014, “O homem avulso”, já revelava as linhas de força de seu estilo: a escrita leve e espontânea, o lirismo e a intertextualidade, o olhar sutil e ao mesmo tempo agudo dos lances da vida. A crônica “Leve sua filha à feira”, escrita em janeiro de 2014, retrata a feira livre da Estação Nova, que ela costumava frequentar aos domingos com duas amigas de infância. Essa crônica leva o leitor a pensar na beleza e nas lições que não raro se ocultam sob a pseudobanalidade do cotidiano. A crônica que a autora considera a mais carregada de sentimentos e emoções, e também a mais comentada no site do jornal, é “A carta”, uma homenagem a sua mãe Celina. A cronista lançará em breve seu livro de estreia, “O homem avulso: crônicas e contos”, Editora Penalux. Aguardem.  (Texto: Marcelo Brito da Silva)



CRÔNICAS E OUTROS TEXTOS

LEVE SUA FILHA À FEIRA

09/2014
Publicado em: 04/02/2015 - 13:02:23


    Feira é uma palavra que veio do latim feria, que significa dia santo, feriado.  Os portugueses trouxeram esse costume para o Brasil e tem sido aprimorado desde a época colonial. Embora a feira assuma seu caráter comercial, há de se observar que ela é também um espaço de celebração da cultura popular, portanto, não perdeu seu caráter lúdico e sua possibilidade de integração social.
    Em janeiro fui à feira livre, na cidade onde nasci, Feira de Santana, na Bahia. Costumava ir com duas amigas de infância pra fazer as compras semanais e, no final, beber água de coco.  Uma rotina, como minha amiga dizia, terapêutica! Eu adoro ir à feira, pois gosto das cores, cheiros e frutos que estão espalhados nela. Alface, coentro, cebolinha, couve, hortelã e salsa. Manga, goiaba, banana, melão, melancia, maçã e jaca. Como diz a letra da música “Feira de Mangaió”, cantada por Clara Nunes: “fumo de rolo, arreio de cangalha, eu tenho pra vender, quem quer comprar? Bolo de milho, broa e cocada, pé de moleque, alecrim, canela, cabresto de cavalo e rabichola, farinha, rapadura e graviola eu tenho pra vender, quem quer comprar? Tem um sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar.”
    Na feira, além de mercadorias diversas e músicas, encontro todos os tipos de personalidades e de classes sociais. Ah! Como é bom o aprendizado que a feira pode oferecer! Em uma das minhas idas, conheci uma mãe que levava sua filha à feira, todos os domingos, desde que tinha 6 anos de idade. E eu fiquei ali parada, pregada, plantada na ponta da feira, como talvez dissesse Chico Buarque, admirada a observar o aprendizado daquela menina, que já estava com 10 anos completos. A menina se debruçou sobre o encerado branco e novo que cobria a bancada da barraca de carnes de seu Dunga. Ela conhecia todas as carnes, além de distinguir entre carne de vaca e carne de boi. Mas que menina esperta! Ela adorava ir à feira com sua mãe. Acredito que sua mãe lhe ensinava muita coisa: a escolher bem cada item das compras, a economizar, a esperar pelo atendimento, a ter iniciativa, a agradecer e ser gentil sempre, a pagar o preço justo, a não levar o refugo, e sim escolher o melhor; a se divertir e saborear as delícias da feira.
    Depois que elas se foram fiquei a pensar em quanto aprendizado há em ir à feira livre. Você já levou sua filha à feira? Se não, ainda dá tempo! Quem sabe ela possa aprender lições de grande sabedoria? Aquela mãe estava ensinando sua filha a respeitar a diversidade, a ser criteriosa e também a escolher o melhor para sua vida, o que vai além de comprar carnes, frutas e verduras. Leve sua filha à feira!


Fonte: Sandra Campos/A Tribuna MT







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