Qual cabelo combina mais com você? Cacheado, alisado, penteado, bagunçado, displicente ou raspado? Chanel, curtinho ou longo? Moderado, no ombro, reto ou em camadas? Qual cor você prefere? Preto, castanho, acaju, vermelho ou loiro? Azul, lilás, amarelo, grisalho lindo e charmoso como os de Allan Pauls, escritor argentino ou branco mesmo? O que perguntar ao careca, se não lhe foi dada a opção de escolher, antes os cabelos saltaram da sua cabeça, num adeus sem volta?
Pensar sobre cabelo é o mesmo que ouvir Gal Costa cantando: cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada, pois como a música diz: cabelo sente, também gosta de pente, cabelo é tempo, é vento, vem lá de dentro, é como pensamento, cabelo pode ser cortado, trançado, tingido, aparado ou escovado, seco ou até molhado. Você escolhe!
Cabelo, do latim capillus, é cada um dos pelos que crescem no couro cabeludo em média 1 cm por mês. Isso para uma pessoa normal, pois conheço quem tem cabelo que cresce o dobro disso e tem pra dar e até já vendeu! Há cerca de 150 mil fios em uma pessoa adulta e todos juntos executam a principal função do cabelo: isolamento térmico. Protege a cabeça dos raios solares e da abrasão mecânica. Há algo mais em torno do cabelo, pois representa ao longo da história um elemento da personalidade humana, símbolo de beleza, fascínio, sedução e até mesmo de força e poder.
O cabelo sempre foi um fetiche cultural muito forte e podemos pensar nele por meio da história por trás do corte, como o fez Allan Pauls, em seu livro História do Cabelo, que narra a aventura de um homem obcecado por cabelo, por isso circula pelos salões de Buenos Aires pensando se deve cortar muito, pouco, deixar crescer, não cortar mais ou raspar a cabeça para sempre. Allan Pauls ultrapassou o senso comum e apresentou o cabelo como um símbolo social, um instrumento político e de identidade, o que vai além de um simples fetiche.
A história mostra que muitos cortes determinam comportamentos, possuem significados específicos, sinalizam formas de encarar a vida e importantes mudanças pessoais. Pintá-los, cortá-los, penteá-los, alisá-los ou deixá-los como os de Bob Marley, um rastafári com tranças e miçangas africanas ou no formato Black Power totalmente naturais, diz muito do que cada indivíduo pensa e vive, de acordo com seu desejo. Compondo a moldura do rosto o cabelo contribui para difundir a imagem de si que se quer passar, associado a conceitos de ousadia, determinação, displicência, acomodação, melancolia, apatia, juventude, liberdade, sedução e outros mais.
Cabelo de mulher é como lingeries, os homens adoram a surpresa e beleza de sua variação, sejam elas em tule ou algodão, renda elástica que se ajustam ao corpo, de tecidos como poá, cotelê, piquê, cetim ou fluity, uma malha com elastano superfina, de caimento perfeito. Pode ser uma negligee ou uma fina camisola de shantung de seda, com aplicações de renda capaz de transformar uma mulher em diva! Um luxo para poucas, mas que faria qualquer homem suspirar ao ver sua bela mulher vestida nela. No entanto, manter a anos o mesmo cabelo, mesma cor, tamanho, ainda por cima preso é como contemplar uma mulher enfadada, que todas as noites veste a mesma camisa de propaganda eleitoral. Um sinal de que algo anda errado, mas não percebem. Ora! Que não seja esse o seu caso, mas se for, deixe a mesmice de lado, dê um passo para a mudança, experimente novos cortes e cores. Não tenha medo, enfrente a si mesma e olhe-se no espelho aceitando-se. Algo novo e melhor só fará bem.
Você é resistente a mudanças? Em vários momentos da vida elas precisam acontecer. Nenhum rio é o mesmo a cada minuto, já afirmou Heráclito antes de Cristo: “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” Quem sabe o novo ano que se aproxima lhe servirá para redefinir o pensamento? Deseja algo melhor para você? Mude suas vontades e beba da fonte de Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.”
Deixe correr a água da vida, deixe passar os gravetos e banhe-se na água limpa que surgir. Vista-se de coragem e arrisque-se. Solte os cabelos que estão presos em você. Libere-os e dance na chuva com a felicidade de quem ama a vida, a si mesmo e ao próximo.